OSPB em discussão no Congresso Nacional

Publicado: 17 de março de 2011 em Sem categoria

Com o fim do regime militar, há mais de 20 anos, a disciplina Organização Social e Política do Brasil (OSPB) saiu do currículo escolar. Era um símbolo da ditadura nas escolas e faculdades. A matéria OSPB foi criada para ensinar a população jovem que o país tinha uma linha ideológica de pensamento. Há sete meses está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei, proposto pela ONG Associação Brasil Legal, para inclusão de uma nova disciplina para os estudantes do ensino médio, chamada Ética e Cidadania, que estudará a constituição.

A proposta já foi aprovada pela Comissão de Legislação Participativa e na de Educação. O projeto de lei da nova disciplina ainda tem que passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para o plenário. Com a aprovação, os alunos passariam a estudar as leis básicas que constituem o Estado, os direitos e deveres dos cidadãos e do governo, além do funcionamento da administração pública.

O cientista político Alexandre Horta analisa que a nova matéria não será a volta da OSPB. “O Brasil já exerce a democracia desde 1985. A antiga OSPB não cabe mais nesse cenário macroeconômico e geopolítico”. Alexandre destaca que o novo curso trará a volta da participação da juventude brasileira e da rediscussão das instituições. “Ela pode despertar nos jovens o mecanismo de fazer política, de que eles podem ser a continuidade”.

Na sala de aula

O aposentado José Maurício de Andrade lembra que a OSPB o auxiliou na formação de uma visão mais crítica sobre a realidade social, política e econômica do país. “A disciplina dava uma noção de civismo, civilidade e cidadania, além de contribuir para o espírito nacionalista e patriótico”, acredita. Maurício recomenda que a nova matéria ensine conceitos de filosofia, cidadania e assuntos relacionados a política.

A professora Jorgete Maria De Lima Altoé conta que durante as aulas aprendeu a respeitar a hierarquia, obedecer as regras e ter orgulho de ser brasileira. Ela expõe que a inclusão da nova disciplina deveria ser aplicada nas primeiras séries do ensino fundamental para a formação dos alunos. “Nossos jovens precisam aprender a ser um cidadão com direitos e deveres”.

Assim como a aposentada, Ilo José Farias Garin concorda que a disciplina foi de grande importância para a formação do cidadão. “A OSPB não deveria ter sido retirada da grade escolar”. Formada em história, Valdete Gomes Pereira Araújo explica que com o fim do regime militar a disciplina foi excluída, pois não tinha mais sentido manter ela na grade curricular. “A OSPB estudava a organização política do Brasil dentro da ditadura”.

Quem parou de estudar e quer concluir os estudos, EJA

Publicado: 10 de março de 2011 em Sem categoria

Quem não teve a oportunidade de estudar ou abandonou a vida escolar, pode voltar para a sala de aula em uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Com garantia de educação pública e gratuita para o trabalhador, assegurada na Declaração dos Direitos Humanos, a cada ano que passa, as turmas de EJA tem ajudado a diminuir a taxa de analfabetismo em todo o Brasil.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que existem no Brasil 14,1 milhões de analfabetos, o que corresponde a 9,7% da população. Na rede pública de ensino do Distrito Federal há 110 escolas, com um total de 55 mil alunos matriculados no EJA. Além das escolas que oferecem a modalidade de ensino, a Secretaria de Educação realiza atendimento no sistema prisional e nos centros de internação de menores.

Segundo o gerente da EJA, Edilson Rodrigues, a Secretaria de Educação faz um mapeamento de onde é necessário inserir a modalidade de ensino. “É importante que a rede pública do DF e dos demais estados tenham esse olhar. É importante atender o trabalhador que tem que terminar os estudos”, explica. No Centro de Ensino Fundamental Professor Carlos Ramos Mota, localizado no Lago Oeste, há aproximadamente 300 alunos matriculados.

O coordenador pedagógico, Euler Campos, conta que a procura tem sido grande, mas muitos acabam desistindo. “Você começa geralmente em um semestre com bastante aluno, mas ao longo do processo eles vão desistindo por causa do cansaço”. Euler Campos conta ainda que a escola tem o terceiro segmento, ensino médio, há um ano. Antes quem quisesse continuar a estudar tinha que ir para Sobradinho. “Já tivemos duas formações. Formamos cerca de 60 alunos nesta escola”, afirma.  Edilson explica que o grande desafio da Educação de Jovens e Adultos é a evasão, por se tratar de uma situação nacional.

Para se matricular na rede pública de ensino a cada semestre, a inscrição é feita pelo telefone 156. Feito o registro, o aluno é encaminhado para a escola faz a matrícula. Se ele não conseguir se inscrever pelo telefone, basta procurar uma escola que oferece EJA e assegurar a sua matricula.

Exemplos

Devido às grandes dificuldades, o balconista Josival Lourenço, 42 anos, parou de estudar por falta de escola. O mineiro veio para Brasília em busca de trabalho. Na oportunidade, trabalhou como engraxate e em uma banca de jornal. O tempo passou, Josival casou e não conseguia voltar para a escola. Em 2003 conseguiu retornar para a sala de aula e hoje faz o 2º ano. “Muitas pessoas me incentivaram, mas esse incentivo partiu de mim mesmo. Eu fico vendo que eu tenho capacidade de chegar lá”, conta.

Sem incentivo dos pais, o porteiro Marcio da cruz, 34 anos, começou a estudar aos 14. Dois anos mais tarde saiu da escola. “Fiquei com raiva da professora e não voltei mais para a escola”, explica. Marcio conta que morava na roça e tudo era muito longe de casa. Por iniciativa própria voltou a estudar há três anos e frequenta a 8ª série. O que mais gosta é da aula de educação física e, já sabe o que quer. “Quero concluir e fazer faculdade de Direito. Depois quero ser policial civil”.

Maria Filha da Conceição Vieira, 67 anos, viúva, mãe de três filhos, cursa a 4° série do primeiro segmento e é o exemplo da escola. Com uma vida difícil que tinha, Maria parou de estudar aos 15 anos para ir trabalhar e só retornou para dar continuidade nos estudos há um ano e diz estar satisfeita. “Tô muito feliz. Realmente as professoras são muito boas”. Além de estudar, ela faz curso de informática duas vezes por semana e mostra a força de vontade que tem. “Não quero parar não. Vou continuar”.